
‘Trampos do Futuro’ reuniu 4 mil jovens para discutir o mundo do trabalho
Evento ofereceu oficinas, bate-papos com especialistas e banco de talentos com empresas recrutadoras
Nos dias 19 e 20 de fevereiro, 4 mil jovens estudantes de escolas públicas da rede estadual de ensino de São Paulo e do Centro Paula Souza (autarquia responsável pelas escolas técnicas, de nível médio, no estado) participaram do evento “Trampos do Futuro: arte, cultura e educação”, na Fundação Bienal de São Paulo. O evento, promovido pelo Itaú Educação e Trabalho, uma das frentes da Fundação Itaú, buscou aproximar os jovens da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), das economias do futuro e das novas tendências para o mundo do trabalho.
O evento contou com palestras temáticas sobre “Como é trabalhar com...”, abordando áreas das economias do futuro: sustentável, prateada, digital, criativa e do cuidado. A temática de economia sustentável contou com a participação de Amanda Costa, fundadora do Instituto Perifa Sustentável e jovem embaixadora da ONU, e de Beto Veríssimo, co-fundador do Imazon - Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.
“Precisamos falar com governantes para aumentar a discussão da temática para que políticas públicas possam chegar até os bairros periféricos, que são os mais afetados pelas condições e desastres climáticos que vivemos hoje,” afirmou Amanda Costa. Já Veríssimo ressaltou a importância da Amazônia. “Amazônia é o presente e o futuro. É fundamental para regular o clima do mundo. É um lugar central, com vida, com uma enorme biodiversidade e uma natureza extraordinária, que ainda conhecemos pouco”.
A economia prateada, que serve a demanda da população de mais de 50 anos, foi apresentada por Marcia Monteiro, jornalista e fundadora da Geração Ilimitada e por Anna Mires, do Itaú Viver Mais. “Existe um grande espaço não explorado de oportunidades para atender a população dessa faixa etária e não só serviços ligados à saúde, mas também finanças, setor imobiliário, decoração, eletroeletrônicos e educação”, explicou Marcia Monteiro.
Já as economias criativa e digital tiveram como convidados Gean Guilherme, fundador do Movimento 2050, e Jader Rosa, superintendente do Itaú Cultural. “Nas minhas obras gosto de misturar arte e tecnologia, usando-a como uma importante ferramenta de comunicação. Minha arte fala sobre a realidade periférica e a favela, então entendi a necessidade de ter profundidade e sair do plano convencional”, contou Guilherme sobre seu trabalho com o Movimento 2050.
Andreza Rocha, fundadora da Afroya Tech Hub, e Manuela Bernadino, UX Reseacher e fundadora da Manux, conversaram sobre o trabalho com a tecnologia e a inovação. A Afroya, liderada por Rocha, é um hub de projetos com objetivo de fomentar a presença de pessoas negras no ecossistema de tecnologia e inovação.
“Embora a tecnologia tenha avançado e tenhamos mais acesso, pesquisas mostram que mais de 50% de quem está na periferia não acessa internet com qualidade, e quando faz, é pelo celular. Isso significa que temos mais possibilidade de acessar, mas ainda é determinado por raça e classe social”, ressaltou Rocha. Já Manuela Bernadino reforçou, em sua fala, que a educação foi o caminho para mudar sua vida. “A educação te recompensa, pode demorar porque vivemos uma realidade difícil. Mas, quando acontece, é fantástico”.
Um dos destaques do Trampos do Futuro foi a participação do Instituto Felipe Neto (IFN), uma iniciativa do criador de conteúdo digital. Felipe refletiu que o ensino médio não está preparado para o mundo do trabalho, em vídeo enviado para a palestra “Como é trabalhar com... apoio à saúde mental” e sobre as ações realizadas pelo IFN. “Embora eu não ache que o ensino médio tenha que ter apenas essa função, que ele não deve apenas preparar para o mundo do trabalho, ele deveria também preparar o jovem para isso, mas não tem acontecido. E infelizmente 80% dos nossos jovens que se formam no ensino médio não vão para a universidade. Isso é alarmante", afirmou Neto.
Em seguida, Camilo Coelho, Diretor do Instituto Felipe Neto, conduziu a palestra, e contou mais sobre o trabalho da instituição e como eles entenderam o papel fundamental da escola na saúde mental dos jovens. “Acreditamos no poder dos professores e no lugar da escola, que é o único em que as crianças ficam sem os responsáveis. Queremos que os jovens conversem entre si, que falem e discutam seus problemas. Não é um trabalho individual e sim coletivo. O que fazemos é criar um espaço seguro e buscar ajudá-los”, explicou.
Oportunidades de trabalho
No encontro, os jovens também tiveram acesso a um espaço de oportunidades de trabalho e formação gratuita, com vagas de estágio e aprendizagem profissional, em empresas e organizações como Fundação Itaú, Auren – Mercado de Energias Renováveis, Fundação Roberto Marinho, Instituto Oportunidade Social, Amazon - AWS Re/Start, Associação Brasileira de Empresas de Software, Magalu, Instituto Coca-Cola Brasil, entre outros. Oficinas gratuitas também foram promovidas por parceiros como o Instituto Kondzilla, com foco em audiovisual e captação de imagens, o Geledés, Instituto da Mulher Negra, sobre pedagogia hip-hop e culturas juvenis nas escolas, e o Sesi SP, com oficinas de robótica.
O evento contou também com arenas de conhecimento e conexão, onde os jovens puderam participar de oficinas e mentorias de empreendedorismo, inteligência emocional, políticas públicas, rodas de conversa sobre futuro, além de ter contado com especialistas e organizações como Auren Energia, Fundação Roberto Marinho e Unicef, dentre outros.
Além disso, a atividade da Árvore do Amanhã, um símbolo vivo de esperança, diversidade, representatividade e inclusão, realizada pela co.liga, uma iniciativa da Fundação Roberto Marinho, foi destaque. Nela, as juventudes refletiram sobre suas vidas, sonhos e expectativas. Foram fixadas mensagens nos galhos da para serem lidas por diferentes pessoas, formando, juntas, um grande manifesto coletivo de transformação. Ao final do evento, foi apresentada e lida ao público uma carta resumindo todas as mensagens e sonhos escritos e fixados na Árvore do Amanhã.
A superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Ana Inoue, avaliou a importância de abrir espaço para as juventudes entrarem em contato com a educação e o trabalho de forma articulada. “Os jovens querem muito aprender e têm sede de conhecimento. Precisamos desenvolver políticas públicas para as juventudes. A Educação Profissional e Tecnológica é, nesse contexto, um vetor importante de desenvolvimento do jovem por fazer conexão com o mundo do trabalho”, complementou.









